quinta-feira, janeiro 18, 2007

O MEU AMIGO

Tenho um grande amigo, que tem várias peculiaridades.
Reservado, não gosta de mostrar as suas emoções.
Raramente vê se tem mensagens no PC.
A sua frase preferida é: "talvez para o ano escreva uma história".
Pois bem. Faz anos dentro de dias e, eu não sei se verá o meu email. Por isso deixo-lhe esta mensagem antecipada na esperança de que a leia a tempo. Faço questão este ano de não lhe telefonar.
Para trás ficaram as poeiras das picadas.
Caminhos do mato tantas vezes percorridos antes e, depois em sonhos.
Muitas mulheres bonitas.
Tardes calorentas na Praia Morena, vigiados pelo Sombreiro.
Biúlas fumadas às escondidas.
Mordem os nossos calcanhares os "lobos da memória".
Que bom saber que a vida dos amigos se alonga serenamente.
Não sei o que tens pela frente mas desejo-te e, faço minhas as palavras do Luandino:
- Vivi. Engrossei o rio de lágrimas que me pariu. Depois lutei contra a corrente. Pelejei com as margens.
Agora cheguei à foz. Com os meus companheiros, os fiéis da vida. Diante de nós o mar. No porenquanto entro o mar com eles.
Até onde?
Um grande abraço.
Estamos juntos
Henrique

2 comentários:

Mary disse...

Bonita amizade...

Manuel Sampayo disse...

É, Mary, é uma bonita amizade e grande. Daquelas que a vida por muitas voltas que dê jamais a beliscará. Nem a morte, quanto mais a vida. Vem de longe, muito lonje. Cruzou picadas, comeu poeira, dançou no Januário, mergulhou no Terra e na Praia Morena (a mais bonita de todas as praias), atravessou oceanos e cá está. Viva!
Obrigado Henrique. As peculiariddes que referiste não me deixavam dúvidas que era eu o homenageado. E tanbém o poema. É um verdadeiro poema. Desta vez não tiro uma preposição sequer. Um grande abraço, um grande abraço.
Manel