segunda-feira, setembro 22, 2008

BRANQUEAMENTO

De há alguns meses para cá, ouve-se falar constantemente nos noticiários, em conversas de algumas elites intelectuais, nos telejornais e mesmo em conversas de alguns governantes.
Estou a falar de "carjacking", "homejacking", motojacking", e mais alguns "jackings" que não vale a pena referir.
Posso estar a ser ignorante, estou a sê-lo com certeza pois o meu inglês é um pouco limitado, mas creio que estão a falar de roubos de carros, de casas de motas.
Se é isso então por que é que estão a dizê-lo em inglês?
Soa melhor?
Dá o ar de que somos menos ignorantes como povo?
O roubo e o atropelo dos cidadãos, ficam com um ar mais limpo?
Fica bem nas festas da sociedade?
Este fenómeno do branqueamento e abrilhantamento das situações já não é novo. Aquela ideia abstrusa de chamar os bois pelos nomes parece ser caduca.
Senão vejamos.
Antigamente nos colégios, liceus, hospitais, repartições, empresas, etc, havia empregados de limpeza e, verdadeiramente era isso que faziam. Se alguém limpa alguma coisa, por que raio é que não é um empregado de limpeza?
Envergonhados de serem empregados (!!!), passaram a chamar-se auxiliares de acção.
Verdadeiramente o meu merceeiro é também um auxiliar de acção polivalente.
Ajuda-me a mim e a muitos outros profissionais a sermos mais eficazes nas respectivas áreas.
O que mais iremos branquear nesta estúpida viagem de algumas cabeças, que acham que avançamos alguma coisa só por mudar os nomes?
E o nosso orgulho como povo?
E aquela treta de que a minha pátria é a minha lingua?
E onde é que ficamos naquela outra treta dos CPLP, se já nem a lingua portuguesa queremos?
Os angolanos alteram a lingua portuguesa, mas na maior parte das vezes enriquecem-na. Porque a alteram em português. Se não nos orgulharmos da nossa lingua, então o que é que fica?
Há verdadeiramente em Portugal um "languagejacking" e ninguém se preocupa em prender, ou pelo menos identificar os culpados.

GED

2 comentários:

filomeno2006 disse...

Los "gatunos" le tienen cierto miedo y respeto a la magnífica Guardia Civil Española

Anabela Simoes disse...

No nosso tempo começaram a adoptar-se francesismos; agora são os anglicismos.Essas "élites intelectuais" perderam o contacto com as nossas raízes linguísticas, esquecendo que a língua foi 'fabricada' pelos povos e fundada no grego e no latim. E é vê-los a pronunciar os 'maicros'(por micro) e os 'aitemes' (pelos itens).
Bjs