segunda-feira, janeiro 12, 2009

MUKANDA

Embaciados, ardem-me os olhos
De tanto que já viram
Ainda me servem os sapatos
Com que reinvento o chão
Um dia deixarei de dançar
As danças há muito aprendidas
Mas não hoje
Atrevo-me em novos passos
No eterno baile da vida
O meu rumo é sempre sul
O primeiro chão que pisei
Onde estão os meus imbondeiros
Areias douradas e o mar azul
Desembrulho os meus sonhos
Neste tempo longo de esperar
Revejo tantos quartos vazios
Na casa da minha vida
Um dia deixarei de dançar
Em cima da linha do horizonte
Mas não hoje
Tempo de kissanges e batuques
De saltar e levantar poeira
Arrastar amigos nesta vertigem
Aprender mais uma vez a viver
Sem anunciar preconceitos
Apenas a minha caixa de madeira
Cheia de todos os meus sonhos
Um dia deixarei de dançar
Esta eterna valsa entre continentes
Mas não hoje

GED

1 comentário:

THIERRY SUEZ disse...

Enquanto vivermos valera sempre a pena estarmos vivos.
Adorei este poema. Ja agora aproveito a oportunidade para lhe agradecer o comentario deixado no meu blog. Fiquei apaixonada pelo blog do Cubal. Um abraco,
Yara